Choro
porque me desagrada
profundamente
quem eu sou.
Se de chorar formasse um rio
poderia me afogar,
atento descuido.
É frequente em mim
a vontade de partir
e tenho pena.
Não parto por pena
dos que me amam.
Pena dupla,
por me amar e por sofrer por mim.
Eu que não valho muita coisa,
eu que não sei nadar no meu próprio mar.
Por mais melancólico
que se encaminhe o poema,
mais verdadeiro.
Fútil e raso,
como eu,
uma junção egoísta de palavras sem sentido.
Ao menos um de nós finda,
e não sou eu,
mas o poema,
numa frase qualquer...

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