A cidade pulsa. Confiro meu peito, eu também. A cidade se desfaz, e eu, em tantos pedaços. A cidade se une em intrincadas vias e complexos trechos. Eu não, ainda prefiro explorar a conexão dos meus pedaços por mais um tempo... A cidade se espalha, como gostaria eu. De andar por aí, sem saber, com o olhar novo de quem não conhece nada. Turista urbano, turistando também em mim. A cidade conta histórias. Tantas, tantas, tantas! Que queria contar eu também. Mas quantos são na cidade? Aqui dentro de mim sou só eu. Há um horizonte tão imenso quando se olha pra ela... Há tão pouco aparente quando se olha pra mim. Às vezes repito os sons da cidade, só pra tentar entender. É estranho, quando faço isso ela parece mais viva que eu. São tantas palavras duras, "selva de concreto", dizem. Mas como pode haver tanto sentir em coisa inanimada?! É porque não é. Ela é viva e coletiva. Uma soma infindável de solidões e de conexões. De gente que, como eu, anda por aí na solitude de se achar no mundo, de se entender no espaço, de se conectar de tantas formas com a cidade. Gente que anda vendo coisas, gente que anda de olho em gente. O encontro da cidade é diário, o alento de não ser importante dentro dela é necessário. Uma fuga boa, quente. É a importância da temperatura prévia do chegar em casa. A casa nossa, de paredes, e a casa nossa, de pessoa. Ontem lemos, na nossa casa na cidade, que há momentos que valem a pena escrever sobre. Eu respondi que todos com você. Você logo disse, feito carro que buzina pro outro parado no sinal: então escreva! Pois cá estou, escrevendo sobre o encontro, sobre a beleza de ter você, sobre uma conexão (muito) mais única do que a Antônio Carlos e a Cristiano Machado. Pra mim elas sempre serão iguais, pra mim você sempre será tão único. E o presente bom é levar você - tão vivo - e a cidade - tão latente - dentro de mim.

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