Probabilidades


João é pescador a vida toda, ofício que herdou do pai, que herdou do pai, que herdou do pai, que chegou ali pelo mar. Todos os dias ele se levanta com o céu ainda escuro e vai encarar a maré atrás dos seus peixes. Qual seria a chance de João arrastar na sua rede, no meio de muitos peixes, uma garrafa velha com um bilhete dentro? Baixíssima. João ficaria até com medo de abrir, sabe lá o que está ali dentro! Mas, vencido pela curiosidade, abriria e acharia um bilhete datado de muito, muito tempo antes. Por sorte, João tinha uma sobrinha estudada, que mudou pra cidade grande e trabalha com coisa antiga. João poderia mandar o bilhete pra ela pelo correio pra ver o que ela tinha a falar. Quem imaginaria que a pessoa que escreveu o bilhete a muitos, muitos, muitos anos atrás, era um parente seu de longa data e que aquela descoberta na garrafa permitiria à sobrinha do João descobrir toda a árvore genealógica da família? Ninguém imaginaria. E pra ficar ainda mais impossível, aquela descoberta conectaria João e sua família e uma outra parte desconhecida da mesma família, que compunha a realeza de uma pequena ilha caribenha que estava em apuros pela falta de herdeiros. Olha só... Não é que resolver-se-iam os problemas das duas partes da família? Qual a chance?! Pequeníssima!!! Uma história cheia de improbabilidades. Que não aconteceu. Ainda. Por enquanto João só sonhou com ela. Acordou naquele dia achando o sonho muito divertido e foi pro mar, como todos os dias da vida. Sabe qual é a chance de um raio te acertar no meio do mar?

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