Era uma vez um pensador. Pensava tanto, que acabou por desenvolver a aclamada teoria do retorno contemplativo, explicada, grotescamente, pelo lema "Voltamos. E voltar não demanda necessariamente ir." De acordo com esta filosofia, voltar sem ir carrega uma carga diferente, como voltar à estaca zero da realidade depois de ir a lugar algum com pensamentos de como as coisas seriam. É redundante dizer que se trata de uma teoria pessimista. Afinal, qual pensador não o é? Quem é que consegue pensar e ainda ser positivo? É muita crise existencial pra pouca existência, de fato. Mas o nosso pensador ganhou um prêmio pelo desenvolvimento dessa teoria. Não compareceu à cerimônia, estava muito ocupado pensando em outras coisas, indo a outros lugares sem sair de onde estava. A teoria do retorno contemplativo demanda um enorme esforço de não fazer nada, apenas pensar e, vez ou outra, quebrar o silêncio reclamando que nada aconteceu e tudo permanece igual. Trata-se de teoria tão elevada, que não são muitos que a conseguem estudar e os organizadores do prêmio tiveram grande dificuldade por defini-la. Haja abstração pra conseguir transmitir um amontoado de não fazeres e de realidades de rolo compressor. Eu mesmo que comecei tentando, já desisti e nem sei mais pra onde esse texto está indo... Mas tudo bem. Se começou com um "era uma vez" já estava pressuposto que era um relato descompromissado. Assim como o é a teoria do retorno contemplativo. Certo? Não é possível que não seja...

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