Um cheiro me acordou à noite. Era delicado, suave. Eu via muito pouco com as luzes apagadas. Momentos antes, senti frio. Não mais. Tinha alguém ali comigo, alguém de quem eu nunca vi o rosto. Me ofereceu a mão e eu aceitei. Me levantou da cama e me soltou, na confiança de que o cheiro me faria seguir o caminho. Fez. Passei por tantas coisas no que sempre me pareceu o corredor comum da minha casa... Vi pouco, senti quase nada. À medida que seguia a sombra e o cheiro, meu peso se esvaía, era como flutuar. Nada me impediu, nada me prendeu, nada me segurou. Quando cheguei à porta de casa tudo parecia simples demais. Saí e fechei tudo atrás de mim. E eu estava feliz. Foi suave partir.

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