Colorido e infinito


Ando sentindo falta do céu. Ainda que ele esteja em todo lugar, é preciso encontrá-lo sempre, olhando pra cima ou olhando pra dentro. Curioso pensar que o mesmo céu que nos mostra o tempo passando, nos lembra que o tempo pode parar. Se eu pudesse, seria um passarinho, desses pequenininhos, que ficam voando por aí. Ver o céu de perto, ver o céu do alto, ser parte do todo. Seria um passarinho atrevido e curioso, mergulharia nas nuvens mais bonitas, dançaria pros olhos humanos que observassem meu pedaço de céu. Se eu fosse um passarinho, eu seria quem eu quero ser, que é quem eu sou quando olho pro céu. Livre! Ando sentindo muita falta do céu... Ando me fechando. Não tenho varanda e telei as janelas. Mas vou reaprender a sair e olhar pra cima. Com olhinhos de pássaro pequeno, que não atravanca o caminho. Sentindo saudades do céu, sentindo esse vazio no peito que só se preenche com nuvens, percebi: preciso saber voar pra ser passarinho. Hoje quando digo que não fecho as janelas, é pra dizer que não fecho os olhos, que não fecho a alma. Porque essa pequena crônica nunca foi sobre janelas e pássaros. Mas sobre o céu em mim.

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