Era feriado. Na verdade era carnaval, mas pra mim era só feriado. Aflita demais pra achar agradável me amontoar com um monte de gente suada ouvindo músicas questionáveis debaixo de um sol castigador, pra surpresa de ninguém, permaneci em casa, eu e meu outro eu. Por uma alegre coincidência, dentre todo o extenso catálogo de entretenimento que tinha à minha disposição, fomos assistir uma série sobre o fim do mundo. O pano de fundo era bem próximo da obra magnífica Melancolia, do Lars Von Trier: um planeta vai se chocar com a Terra e será o fim de tudo, o fim de nós, o fim do mundo (minha pequena Eva, o nosso amor na última astronave). O que se faz quando alguém te avisa que o mundo vai acabar? Na série as pessoas abandonavam seus empregos, saíam peladas pela rua, faziam festas todos os dias, ignoravam as regras, bebiam como se não houvesse amanhã (ha-ha-ha) e festejavam a cada segundo. Um recorte interessante, pensamos eu e meu outro eu. É só dizer que é a última chance que todo mundo decide fazer o quê? O que quer - afinal, passamos tempo demais fazendo o que precisa ser feito feito que, convenhamos, é bem diferente. Mas, um detalhe não nos escapou. Se pegamos esse cenário de fim do mundo e acrescentamos (muito) gliter, o que acontece? Olha só! Não é que o carnaval é um pequeno fim do mundo? Mas é um fim do mundo com volta... Ainda que o gliter não saia mesmo depois de inúmeros banhos, o mundo não acabou e todos acabam tendo que lidar com o que resta do carnaval de alguma forma. Ressaca alcóolica, ressaca física, ressaca moral, tanto faz. É até compreensível que, logo que o mundo renasça, os foliões fiquem aguardando ansiosamente que ele acabe de novo. Afinal, deve ser acalentador ter um apocalipse anual, não é mesmo?
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