Ontem, quando me deitei pra dormir, ouvi um choro de criança. Meu marido já dormia, a casa estava em silêncio, não havia mais ninguém ali além de nós dois. Não fisicamente... O choro persistia. Ao fechar os olhos, encontrei um bebê. Suas feições eram familiares de uma forma que, naquele momento, eu não soube explicar. Instintivamente, acalentei, coloquei no colo, ninei. Aquele espaço de olhos fechados tinha um cheiro bom, de conforto. A criança foi, aos poucos, se acalmando. E dormiu, recostada em mim.
Ontem foi o dia que eu decidi que seria mãe. Ainda não sei se decidir é a melhor palavra... Às vezes penso que só aceitei a minha vontade de ser que, por tanto tempo, andou em lugares que eu desconhecia, onde eu nunca pisei. Não seria naquele momento, não seria num futuro próximo... Mas seria. E aquilo era suficiente pra mim e pra quem dormia no meu colo. Fomos aceitos.
Não sei precisar em que momento eu caí no sono, mas sei que estava em paz, comigo e com a vida que eu, em algum momento, irei gerar. Dormimos num abraço, devidamente ninados, em sono profundo, sem mais chorar. A criança também estava em paz.
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