Não gosto de mim e não tenho previsão de fazer as pazes comigo mesma. Nem sei se quero, na verdade. Seria um esforço muito grande e eu não estou disposta. Hoje mesmo, pela manhã, já forcei meu cérebro ao limite pra tentar lembrar da palavra homeopatia e não lembrei, tive que pesquisar no celular. A falta de vontade, perceba, é recíproca. Meu corpo não se esforça pra entender minha mente, que não se esforça pra entender qualquer sentimento. E como se eu fosse a junção de um número de pessoas que não se dão bem. A vida tem dessas coisas, de nos obrigar a conviver respeitosamente (no mínimo) com pessoas que gostaríamos de nunca ter conhecido. Pensar que conviver comigo mesma é uma dessas obrigações deixa as coisas mais fáceis, às vezes. O pior é o espelho... Podem existir quantas personalidades forem, a aparência é uma só, a pessoa que vai aparecer de fato, é uma só. É aí que começa a guerra. Que cabelo usar? Essa maquiagem, aquela ou sem maquiagem alguma? Que roupa diz de mim hoje? São muitas dúvidas superficiais pro desespero principal: quem sou eu? Tudo isso antes das oito da manhã, só porque não encontrei no armário o meu remédio que provavelmente acabou e eu esqueci de comprar. Homeopatia. O maior efeito placebo que se possa imaginar. Mas o que não é placebo, afinal? Vê como é cansativo?
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