Viver dentro da própria cabeça é sempre desafiador, mas tem dias que são especiais. Quinta-feira eu acordei cedo e com a barriga roncando, já que a fome decidiu aparecer no dia anterior depois de eu já ter me deitado e a preguiça não me permitiu ir até a cozinha. Atravessei a rua e fui até a padaria. Só quando escolhia meus biscoitos foi que me ocorreu que estava ainda nos meus pijamas, o que talvez justificasse o fato de todo mundo estar olhando pra mim de uma forma um tanto estranha. E qual é o problema? Meu pijama cobre meu corpo na mesma proporção que todas as outras roupas que eu visto e é muito mais confortável. Muito mais confortável! Se meu cabelo está ainda desgrenhado, e daí? Pra que pentear os fios se as ideias permanecerão emboladas? E sobre as minhas pantufas, bom nada mais quentinho e confortável. A vida tinha que ser mais como um conjunto de roupas de dormir, macia e confortável, e menos como as pessoas esperam que você vá vestido comprar pão num dia de manhã com fome. Mas não parou por aí, quando um dia decide ser especial, ele é especial. Eu só queria pagar minhas compras e voltar pra minha casa pra comer meu café com tranquilidade. Mas a mocinha do caixa apareceu:
- Não quer levar um sonho hoje? Estão tão doces!
É isso. Aquela é a melhor padaria da cidade e a vida é a própria indigestão.
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