Sempre tem algum trem perto de um mineiro. Seja no trilho ou fora, de carga ou passageiro. Tem trem até de comer, é uma maravilha! É quase como se o trem fosse a rota de fuga do mineiro. Não lembra o nome, é "aquele trem". Não sabe o que falar, é "que trem, hein". Está bravo, mas quer ser educadinho, é "ê trem!". Algum antigo poeta mineiro já deve ter falado do lirismo do trem, se não falou perdeu uma baita oportunidade. O trem é a personificação do mineiro, e não o contrário. O mineiro que está quietinho, de repente apita pra avisar que lá vai e começa seu movimento devagar - chac chac chac chac - e apita pra avisar que está acelerando - piuí chac chac chac chac - até sair veloz percorrendo seu caminho seguro (e empurrando sem qualquer delicadeza quem apareça pela frente). Mineiro é um trenzinho bom. Mas não era nada disso que o mineiro que eu conheço queria me dizer. Ele só me contou que tem um trem onde ele trabalha. Fiquei pasmo quando percebi que o trem ao qual ele se referia era aquilo mesmo, um trem-trem, de fato, trem que anda em trilho. Quis o destino que ele cuidasse do patrimônio ferroviário desse estado de gente boa, e colocou meu amigo pra trabalhar do lado de três linhas férreas e com um trem parado ornamentando o pátio. Bom... trem por trem, minha mente é irrefreável e, ainda que eu não tenha recebido a graça de ser mineiro, minha cabeça já apitou algumas vezes e vou seguir no meu piuí chac chac chac.

❤️
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