Em órbita


Escrevi uma pequena crônica sobre o amor. Depois de pronta, descobri que crônicas de amor fazem sentido apenas pra quem escreve e quem serviu de inspiração. Então vou deixar aqui uma crônica universalmente sem sentido.

O amor anda de meias pela casa, pra não fazer barulho nem deixar pegadas. É silencioso, como são as coisas grandes (veja, o universo não produz som). E, silencioso, cresce, até causar o maior estrondo que alguém já sentiu. Depois do amor, tudo é reflexo. A vista parece mais limpa, a audição é quase seletiva pra manter o espírito no alto. Do cheiro e do gosto, só se quer provar o do motivo do amor. O amor é a bebida mais forte que há pra se beber, com a ressaca mais suave que se possa sentir. Depois de você, pra mim o amor tem só o seu nome e o seu sobrenome. E o meu melhor passeio (depois da viagem de percorrer seu corpo, que é, certamente, a minha favorita) é calçar nossas meias em passos quietos pela casa, aparecendo, vez ou outra, nos sonhos um do outro. Só pra, no abrir dos olhos do outro dia, me ver refletida no seu pequeno universo, lugar infinito que escolhi pra morar.

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