Dentro da minha cabeça tem alguém que dorme. Alguém que lê e vai no parque em dias ensolarados. Dentro da minha cabeça tem alguém muito parecido com alguém que eu conheci bem. Dentro da minha cabeça tem uma versão anuviada de mim. Dentro da minha cabeça estou eu.
Como eu sei que estou dentro da minha cabeça? Não sei. Eu imagino que esteja. A sensação é a daquela velha música, "my body is a cage", que tenho a distante impressão de ouvir tocar por aqui em algum momento. Eu sei que me apresentei ao som dessa música, mas uma coisa que eu não sei é onde é aqui.
Em alguns momentos é um espaço puramente branco, onde meus passos ecoam... É como se eu estivesse perdida num labirinto sem paredes. Às vezes sinto um calor nos meus braços, nas minhas mãos. Mas não vejo nada aqui além de mim. Me sinto num imenso espaço vazio, ao mesmo tempo que me percebo num espelho, num enclausurado invertido.
Em alguns momentos o vazio se preenche do que, acredito, foi minha vida antes desse espaço. O que são conclusões tão soltas, que consigo enxergar elas se desfazendo no ar. Estranho que estou sempre, sempre sozinha. O único momento onde senti todo o meu corpo, foi quando, eu juro, vi um par de olhos que conseguiu, de alguma forma, adentrar no meu espaço desconhecido, no meu vazio movimentado.
Nos momentos bons eu vejo o céu. Eu estou no céu. Alguma coisa está presa às minhas costas, eu sinto. Mas, ainda assim, eu estou voando, voando, voando... A sensação é de que, voando, permaneci.
E enquanto meus olhos não se abrem, tudo isso é lá, alguém dentro da minha cabeça.

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