Aluga-se avó


Eu sonho muito com a minha avó. Isso vem desde quando ela morreu, há oito anos. Avós e saudade me parecem sinônimos em algum desvio gramatical. Por isso tenho um pouco de dor de cotovelo porque a ideia fantástica que vou contar não saiu da minha cabeça saudosa, mas da cabeça empreendedora do futuro avô dos meus netos.

- Sabe que eu já pensei em abrir uma empresa de aluguel de avós?

Foi o que ele falou um dia no carro, em algum trajeto cotidiano.

- Uma empresa de aluguel de avós?

- É!!! Pensa, aquele dia que você está com muita vontade de comer biscoito de vó, ou um dia que você quer uma vó fumante pra jogar buraco e beber com você, ou uma vó daquelas com peito gigante, pra você afundar a cabeça ali num abraço.

É uma ideia boa pra todo mundo. Os netos carentes ganham avós e as senhorinhas ganham emprego, ocupação e gente com quem conversar. Já temos até clientes dentre as poucas pessoas com quem compartilhamos a ideia.

Já penso na criação de um banco de talentos, entrevistando todas as avós e testando pessoalmente suas habilidades culinárias, de conversa, de jogo, de carinho... É como se o produto da empresa fosse um enorme pote de afeto humano. 

Esse é o anúncio da ideia. Está proibido copiar! E que fiquem todos avisados, se daqui um tempo aparecer uma casa com uma placa, um outdoor, um anúncio antes de um vídeo ou um perfil nas redes sociais com um texto em letras garrafais dizendo ALUGA-SE AVÓ, é porque deu certo. É porque a partir daquele momento o número de pessoas felizes vai aumentar exponencialmente graças à infinidade de carinho que as avós podem dar.

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