Golpe celeste


De tanto olhar o céu, passamos a conhecer suas nuvens.
Jogamos fora horas e horas olhando pra cima até doer o pescoço.
São bonitas, elas. Diferentes em formato e cor.
Mas qual não foi a surpresa ver a analogia da brancura com o fundo do poço.
De suave fumaça leve, passaram a empecilhos no caminho.
Só por lembrar que quem se faz de solene, manipula os fios de marionete - sozinho.
Arrogância e vaidade colocam terno e gravata pra sair à rua. 
A boca diz de céu, mas os olhos focam em seus próprios pés, guiando tamanho escrutínio.
Há de se ter pena de quem quer organizar nuvens.
De quem, na ânsia do querer ser, comete tamanho latrocínio.
Há de se amaldiçoar quem sujou as nuvens com imagem tão vil!
Presteza ordinária, falácia velha e dissimulada.
Que cuspam à sua cara que a verdadeira cor do céu sempre será anil.
A nuvem de tempestade que venha e desabe!
A chuva sempre desorganiza o céu quando passa.
Às vezes azul é bom. Azul sem nuvens, sabe?

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