Domingo era dia de ir à praia com as crianças. Enquanto elas brincavam no mar, eles, sentados na mureta que divide a cidade da areia, refletiam em silêncio. Até que:
- Acabou, não é?
- Sim, acredito que sim.
- Estava me perguntando qual de nós dois ia dizer primeiro.
- Você sempre foi mais proativo.
Uma risada minúscula, de alívio e tensão. Os pés enfiados na areia.
- Bom...
- É.
- Hmm... Eu devo te agradecer por tudo ou algo assim?
- Não, acho que não. No fundo nós já sabemos de tudo isso.
- Claro.
Outra pausa. As pernas se esticam, fazendo voar pequenos grãos de areia por entre os dedos dos pés.
- Você fica em casa com as crianças, pode ser? O espaço é maior e eles estão acostumados com o ambiente. Eu consigo encontrar outro lugar nos próximos dias.
- Claro. Imagina, sem pressa! Não tenho problema algum com sua companhia.
- Sim, nós sabemos que sim. Mas em algum momento isso vai soar estranho.
Um ensaio de risada verdadeira. O sol está maravilhosamente quente naquele dia. Trazendo uma sensação de aconchego à pele.
- Foi amor?
- O quê?
- Nós dois. Nós nos amamos em algum ponto?
- Ah, mas claro que sim! Talvez ainda nos amemos. Só estamos enxergando tudo com mais clareza agora.
- Sim, você está certo, como sempre. Talvez eu sinta sua falta.
- Talvez?! Fala sério, eu mereço mais que isso. Você vai sentir minha falta sim. E eu a sua.
- Claro.
Um assovio. O tempo passou sem que ninguém visse. Às vezes isso acontece, na vida. Quando coisas e pessoas se equilibram em beiras. As crianças saíram molhadas do mar em direção aos pais. Foram devidamente embrulhadas e saíram andando na frente.
- Você tem alguma dúvida de que seremos mais felizes assim?
- Nenhuma!
Era dia de mar manso e calmaria.

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