A engolidora de si

Perdi minha poesia
Dentro de mim.
Se a engoli? Não sei.
Apesar de reconhecer que parte dela me vem do estômago.

A parte que vem da garganta
Também não mais vi.

Meu coração inquieto
Parece adormecer logo ali.

Mas ouço barulhos estranhos à noite.
Sempre antes de dormir.
Seria minha poesia, fugidia, percorrendo insônias por si?

Talvez ela percorra caminhos negados aos meus pés de moça
E à minha mulher de saltos e vestes de cetim.

Deixo aberta a porta ou a janela?
Deixo leite, vinho ou doce?
Vinil ou o silêncio do céu na madrugada?
O que faria minha poesia voltar pra mim?

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