Quanto dura a madrugada?

Tem uma luz faltando. A escada está escura sempre que subo, a claridade da varanda não chega lá. A rua está silenciosa e me convida a não entrar.

Fica.

Eu sou baderna encostada no capô do carro esperando a lua vermelha desanuviar. A fumaça das queimadas de fim de inverno turvam minha visão. 

Na sua cama o meu corpo e no seu celular a mensagem de outra pessoa, na sua caixa postal recados intermináveis, nos seus passos pegadas pra trás de um caminho que não se vê pra onde foi. 

Corra.

Pra minha insegurança uma caneca cheia de café forte no meio da madrugada inssosa. Entre dormir mal e ter insônia eu fico com o sangue sujo de cafeína.

O gosto da minha boca com seu gosto misturado com o meu gosto na sua boca trança pernas com um relógio que não sabe ainda se dá corda ao tempo ou volta pra trás.

Cuspa.

Quando finda a noite, o frio do novo me arrepia as pernas. O calor do sol logo reluz a poeira espanada e a luz carrega fantasmas da neblina que passou. É hora de uma bebida forte pra manter a integridade do receio escondido e abrir branco sorriso fosco enquanto ainda houver luz.

Engula.

Aguardo ansiosamente a próxima madrugada. Fantasiando em espasmos terminais, flutuando em pânico cru e puro. Olhos vidrados trincam mirando o horizonte descascado. Lá vem você me amanhecer de novo.

Acabe.

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