Ana Lígia Barreto Garcia. Supra sumo da sociedade carioca. Filha do meio da família cristã de Alberto e Elisa. Impecável, a perfeita. No porta retratos da sala com vestido de decote comportado e comprimento abaixo do joelho. Batom só depois dos quinze. E rosa.
Liginha, noiva de Luiz Otávio, saia agora à meia noite de jeans pulando a janela. A sala estava cheia. O noivo estava lá, como estavam os comes festivos e os bebes de celebração da união de fortunas via circulozinho de ouro no dedo anelar. Liginha preferia o dedo do meio. Era maior.
Anali chegou no Porão e entrou pelas portas dos fundos. Toda dama da sociedade deveria ter um amigo dono de pute... De bordel. Existem palavras que não devem ficar na mesma frase que 'dama'. Existem almas que também não deveriam carregar o fardo do bordão. Anali era uma dessas.
Jogou na boca densos goles do uísque barato embebido de "minha filha não bebe". Sentou na cadeira de pernas abertas, com sapatos masculinos que traçavam "minha filha sempre foi a primeira da turma". Puxou Mariana pro seu colo e beijou-lhe revidando a língua de quem disse "minha filha fará um ótimo casamento".
O nome de Mariana não era Mariana. E Ana Lígia sabia. Mas pouco se importava... Nos seus vinte e poucos anos raras vezes tinha ela sido Ana Lígia. Quis despedir-se ali - naquele mar de inverdades, naquele antro de máscaras postas, de realidades rasgadas - da sua vida tão retocada quanto as damas do recinto retocavam seus batons.
Não bastasse ser Ana Lígia Barreto Garcia, teria que ser agora Ana Lígia Barreto Garcia Grotão. Grande bos... Nenhuma palavra se encaixa numa frase com um nome desse tamanho (e desse peso). Ele se (a) esgota.
Ana voltou pra casa. Uma mancha verde no furo que levava a ausência do par do brinco de pérola da orelha direita. Roupas de homem porque as roupas de mulherzinha manchavam seu ego. Mariana ela trazia na boca e no peito. E o cheiro de bebida, corpos e cigarro ela deixava em poças de cuspe pela rua.
Abriu a porta da sala como se quebra um copo. "Ana Lígia é linda, um estouro!" A sociedade carioca se trincava.
- Acabou a palhaçada! Eu quero é ela.
Liginha, noiva de Luiz Otávio, saia agora à meia noite de jeans pulando a janela. A sala estava cheia. O noivo estava lá, como estavam os comes festivos e os bebes de celebração da união de fortunas via circulozinho de ouro no dedo anelar. Liginha preferia o dedo do meio. Era maior.
Anali chegou no Porão e entrou pelas portas dos fundos. Toda dama da sociedade deveria ter um amigo dono de pute... De bordel. Existem palavras que não devem ficar na mesma frase que 'dama'. Existem almas que também não deveriam carregar o fardo do bordão. Anali era uma dessas.
Jogou na boca densos goles do uísque barato embebido de "minha filha não bebe". Sentou na cadeira de pernas abertas, com sapatos masculinos que traçavam "minha filha sempre foi a primeira da turma". Puxou Mariana pro seu colo e beijou-lhe revidando a língua de quem disse "minha filha fará um ótimo casamento".
O nome de Mariana não era Mariana. E Ana Lígia sabia. Mas pouco se importava... Nos seus vinte e poucos anos raras vezes tinha ela sido Ana Lígia. Quis despedir-se ali - naquele mar de inverdades, naquele antro de máscaras postas, de realidades rasgadas - da sua vida tão retocada quanto as damas do recinto retocavam seus batons.
Não bastasse ser Ana Lígia Barreto Garcia, teria que ser agora Ana Lígia Barreto Garcia Grotão. Grande bos... Nenhuma palavra se encaixa numa frase com um nome desse tamanho (e desse peso). Ele se (a) esgota.
Ana voltou pra casa. Uma mancha verde no furo que levava a ausência do par do brinco de pérola da orelha direita. Roupas de homem porque as roupas de mulherzinha manchavam seu ego. Mariana ela trazia na boca e no peito. E o cheiro de bebida, corpos e cigarro ela deixava em poças de cuspe pela rua.
Abriu a porta da sala como se quebra um copo. "Ana Lígia é linda, um estouro!" A sociedade carioca se trincava.
- Acabou a palhaçada! Eu quero é ela.

Amo viajar pelos seus cenários!!!!!!!!
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