A janela


Hoje quando Isabela sentou-se para escrever em seu diário, esperava por coisas concretas e objetivas, como sempre, refletindo o tédio de todos os seus dias. Mas dessa vez foi diferente. Nenhum pensamento organizado lhe passou pela cabeça. Estava tudo tão confuso... Ela só conseguia lembrar daquele rosto, aquele belo rosto se abrindo em um sorriso largo num brilhante cenário de asas. Isabela não era cética, mas também nunca tivera no que acreditar. Pensou por mais de uma vez em se jogar da janela do quarto para ver se seu anjo viria lhe salvar. Para ver aquele rosto mais uma vez e se sentir entre seus braços... Desde que fora descoberto, ele desaparecera. A vida de Isabela nunca tinha sido algo glorioso, memorável, encantado, que a fizesse querer continuar vivendo. Havia uma solução simples para isso: a janela. 
A janela veio, o anjo não. Ele apenas esperou, ao longe, que ela trilhasse o seu mesmo caminho. Foi exatamente por ele que andei.

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