Meus céus aqui são todos iguais. Sempre. Há pequenas variações, de fato. Mas variações da mesma coisa. Quando o céu está azul, está sempre no mesmo tom de azul. Quando o céu tem nuvens, elas estão sempre no mesmo lugar, não se mexem.
Eu acho muito estranho quando ouço pessoas comentando sobre formatos de nuvens no céu, sobre como elas mexem, sobre como um céu nunca é igual ao outro. Ou eu vivo numa simulação, ou tenho um problema de vista bastante seletivo.
Cheguei a passar um dia inteiro olhando pro céu. Acordei antes do sol nascer, fui pra pracinha em frente à minha casa, me sentei no banquinho e pronto. Só olhar pro céu. Tomei água no canudinho e nem comi, pra certificar que não perderia um segundo de céu.
Não mudou. Eu tenho certeza! E olha que era um dia com nuvens! Se fosse um dia de céu todo azul, reconheço que seria mais difícil afirmar com certeza que nada aconteceu. Mas era um dia de céu com nuvens e elas definitivamente não se mexeram.
Já atravessava a rua pra voltar pra casa, no escuro da noite, quando ouvi alguém me chamar de Antônio Planeta - o homem que gira em torno de si. As revelações tem tempo próprio, acontecem mesmo a qualquer momento. Atravessando a rua, já no alto da vida, entendi que minha cabeça rotacionava numa órbita própria em cima do meu pescoço. Isso explicava o céu parado, a labirintite e, muito provavelmente, a simulação.
Mas como foi que eu passei a vida inteira orbitando sem saber de mim?

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